Música de Concerto
O Festival Brasil-Alemanha chega à sua 16ª edição, promovendo a colaboração entre três grandes instituições: a Escola de Música da UFRJ, o Instituto Villa-Lobos (Unirio) e a Escola Superior de Música de Karlsruhe. Com o apoio cultural do DAAD, órgão de intercâmbio acadêmico do governo alemão, o festival oferece aulas de instrumentos, canto e música de câmara, além de prática de Banda Sinfônica. Assim como nos outros anos, as classes de Trompa, Música de Câmara e Banda Sinfônica estão a cargo do Maestro Will Sanders. Neste ano, o repertório se diversifica nos períodos da história das bandas sinfônicas, com obras de compositores como William Schuman, Robert Russell Bennett, Yosuke Fukuda e Jacques Castérède, com uma paleta de cores e timbres reveladores das múltiplas possibilidades do conjunto musical. A obra “Chester”, de William Schuman, foi composta tomando por base uma melodia composta por William Billings e publicada em 1778 no livro The Singing Master’s Assistant, e que se tornou um dos hinos da Revolução Americana, cantado nas colônias e pelo Exército Continental. Schuman a incorporou como o terceiro movimento de sua obra New England Triptych e, posteriormente, expandiu-a em uma abertura para banda, frequentemente associada ao movimento When Jesus Wept.
A suíte “Danças Sinfônicas”, de Yosuke Fukuda, foi encomendada pela Central Band of the Japan Air Self Defense Force, e apresenta diferentes danças do mundo. No concerto serão apresentadas 3 dos 5 movimentos, a saber: I. Danças Renascentistas, em homenagem à música europeia do Renascimento, evocando os estilos de Gervaise, Susato e Praetorius. O movimento traz as danças courante, pavane, galliard e branle; II. Tango, um retrato de um tango argentino com certa ênfase está na expressividade e na sensualidade da dança, mais do que em sua elegância formal; III. Hoedown, inspirado no rodeio e no swing do Oeste americano. O movimento transmite a ideia caricata das danças e dos passos tradicionais desses eventos, que de forma bem semelhante, temos aqui no Brasil. O concerto avança com a “Suíte das Danças Ancestrais Americanas”, de Robert Russell Bennett, composta em 1949 e que celebra estilos populares de danças Estadunidenses, entre o final do século XIX e início do XX, com utilização das cores orquestrais para realçar o caráter festivo e social dessas danças: I. Cake Walk, uma dança de origem afro-americana marcada pelo humor e pela competição em salões; II. Schottische, de origem europeia, parecida com a Polca (também muito tradicional no Brasil) tornou-se comum nos bailes americanos do século XIX; III. Western One-Step, popular nos salões do início do século XX, é dançado em ritmo rápido e direto. Como o próprio nome já diz, é a dança é feita com um passo apenas, transferindo dentro do ritmo da música. IV. Wallflower Waltz, com referência à expressão “wallflower” (literalmente, “flor de parede”), usada para descrever pessoas tímidas que ficavam de lado nos bailes. O movimento apresenta uma valsa introspectiva e delicada, contrastando com a animação das demais danças; V. Rag, inspirado no ragtime, gênero precursor do jazz. Esse gênero musical foi usado por vários outros compositores estadunidenses em forma de trazer para a música de concerto o espírito de modernidade da música popular americana no século XIX. A obra “Divertissement d’été” (Diversão de verão), de Jacques Castérède, foi composta e estreada em 1965 em resposta a encomenda de Robert Boudreau, para a American Wind Symphony Orchestra. Originalmente escrito em 3 movimentos, para esse festival, será executado somente o último movimento: Marcha, que traz uma releitura desse estilo, com uma roupagem mais galante e leve. E, finalizando o concerto, a obra “Ecossistemas Aniquilados”, do compositor Gilson Santos, que em nota nos informa sobre a composição: “Expressar musicalmente um problema contemporâneo, como a devastação dos ecossistemas, é refletir sobre o legado que queremos deixar para as próximas gerações. Hoje, a natureza está nos dando sinais e clamando por socorro, alertando que a ganância capitalista pode destruir o planeta em que vivemos. A obra é um réquiem à flora e fauna aniquiladas e uma ode à esperança de uma integração com o ecossistema do qual fazemos parte. Ao compor esta obra, procurei traduzir um pouco do sofrimento da natureza, seu pedido de socorro, mas também toda sua beleza e capacidade de reconstrução. Deixo aqui um poema de Drummond, com a esperança de dias melhores: “Não, não haverá para os ecossistemas aniquilados dia seguinte. O ranúnculo da esperança não brota no dia seguinte. A vida harmoniosa não se restaura no dia seguinte. O vazio da noite, o vazio de tudo será o dia seguinte.” (Carlos Drummond de Andrade).
PROGRAMA
William SCHUMAN (1910-1992)
Chester, abertura para banda
baseado em Hino e Canção Marcial da Revolução Norte-Americana, por William Billings
Yosuke FUKUDA (1984)
Symphonic Dances
I – Danças Renascentistas
2 – Tango
3 – How Down
Robert Russell BENNETT (1894-1981)
Suíte das Danças Antigas Norte-Americanas
1 – Cakewalk
2 – Schottische
3 – Western One Step
4 – Wallflower Waltz
5 – Rag
Jacques Castérède (1926-2014)
Marcha, da Suíte Divertissement d’eté
Gilson Santos (1977)
Ecossistemas Aniquilados, para banda sinfônica
Histórico da Orquestra de Sopro da UFRJ.
A Orquestra de Sopros da UFRJ teve seu primeiro concerto realizado em outubro de 2005, o segundo ao final de 2007 e desde 2008 apresenta, de forma ininterrupta temporadas regulares de concertos, com programação intensa da obra brasileira e mundial para banda sinfônica, tendo sido responsável por importantes estreias de obras de compositores nacionais e primeiras audições na Brasil do repertório internacional escrito especificamente para banda sinfônica e orquestra de sopros. É formada por alunos de graduação do bacharelado em instrumentos de sopros e de percussão da Escola de Música da UFRJ, inscritos na disciplina de Prática de Orquestra e por técnicos funcionários. Como projeto de extensão, atende também alunos provenientes de projetos sociais da cidade do Rio de Janeiro. Outra importante função é sua atuação direta no suporte ao bacharelado em Regência de Banda, oferecido pela EM/UFRJ desde 2011, e no qual funciona como uma banda laboratório para os alunos, os quais fazem seus concertos de formatura com o grupo. O grupo foi responsável por dezenas de estreias de obras brasileiras, em primeira audição mundial, e centenas de estreias de obras latino-americanas e mundiais no Brasil. Em 2009 gravou o CD “A Obra para Orquestra de Sopros de Heitor Villa-Lobos” e em 2017 o CD ao vivo “Dobrados para o Itamaraty”. Em 2019 fez a estreia da obra “Puri”, de Edmundo Villani-Cortes, para quarteto de clarinetas e orquestra de sopros. No concerto, gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, em 18 de junho de 2022, contou com a participação do Barcelona Clarinet Players, e a gravação consta do CD do grupo, “Panamericano”, indicado ao Grammy em 2024. Em 2017, 2019, 2023 e 2024 atuou como grupo residente do Simpósio de Bandas Funarte-UFRJ e, desde sua organização, tem participado dos Panoramas de Música Brasileira Atual. Conta com a coordenação, direção musical e regência do Prof. Marcelo Jardim e tem como regente assistente o Prof. Gabriel Dellatorre. É um dos Grupos Artísticos de Referência Institucional da UFRJ – GARINS.
Detalhes do evento:
Dia(s): 4 set 2025
Horário: 19h00 - 20h00
Local: Salão Leopoldo Miguez (Escola de Música/UFRJ)
Rua do Passeio, 98 - Lapa, Rio de Janeiro , RJ, 20021-290
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Inscrição:
A confirmação da inscrição é de responsabilidade do organizador do evento.
Valor: ENTRADA FRANCA
Período de inscrição: N/C
Site: http://musica.ufrj.br
Instituição responsável: Escola de Música da UFRJ
Email do organizador: N/C
Telefone de contato: N/C
