Música de Concerto

ORQUESTRA SINFÔNICA DA UFRJ

Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro

102a temporada

Dia 30 de abril de 2026, quinta-feira, às 19 horas

Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ

Rua do Passeio 98 – Centro

Entrada franca

 

PROGRAMA

  1. Dmitri SHOSTAKOVICH (1906-1975) – Abertura sobre temas folclóricos russos e quirguizes op.115 (1963) 10’

 

  1. Radamés GNATTALI (1906-1988) – Divertimento para Marimba e cordas (1973) 12’

 

Solista: Pedro Moita (marimba)

 

  1. Franz SCHUBERT (1797-1828) – Sinfonia no4 em Dó menor “Trágica” D. 417 (1816) 30’

 

  1. Adagio molto / Allegro vivace

  2. Andante

  3. Menuetto (Allegro vivace)

  4. Allegro

 

Orquestra Sinfônica da UFRJ

Regente: Thiago Santos

RELEASE

Logo após a revolução de 1917 o governo bolchevique da Rússia iniciou um processo de expansão para incorporar territórios vizinhos ao que viria a ser a União Soviética. A adesão do Quirguistão teve início ainda na década de 1920, mas foi oficializada em 1936, quando passou a ser denominado República Socialista Soviética Quirguiz. Em 1962, logo após a estreia de sua Sinfonia no13 “Babi Yar”, Shostakovich passou um período de descanso na região e prometeu dedicar uma obra ao povo local. A Abertura sobre temas folclóricos russos e quirguizes op.115 foi estreada em 2 de novembro de 1963, em Frunze (atual Bishkek), capital do Quirguistão. Para simbolizar os laços culturais entre a Rússia e o Quirguistão, o compositor combinou o tema russo Ekh, brodyagi vy, brodyagi (Oh, seus vagabundos!) da região de Omsk, com dois temas quirguizes extraídos de coleções folclóricas, Tryrldan, uma criatura mitológica, cuja melodia é ouvida logo na abertura da peça, e “Op Maida”, uma canção de trabalho. A orquestração colorida e vibrante de Shostakovich dá vida a esta obra pouco executada, que consta no repertório da Orquestra Sinfônica da UFRJ pela primeira vez como homenagem aos 120 anos de nascimento do compositor, um dos mais importantes do século XX.

Contemporâneo de Shostakovich e nascido no mesmo ano, Radamés Gnattali foi um compositor ligado tanto à música de concerto quanto às práticas populares, especialmente como regente e arranjador da Rádio Nacional. Dentre os inúmeros concertos e obras concertantes que dedicou a amigos e parceiros de profissão estão alguns para instrumentos pouco usuais como solistas, como o bandolim, dedicado a Jacó do Bandolim e a Joel Nascimento, para harmônica, dedicado a Edu da Gaita, e para acordeom, dedicado a Romeu Seibel, o Chiquinho do Acordeom. É o caso também do Divertimento para marimba e cordas, composto em 1973 e dedicado ao percussionista Luiz Anunciação (1926-2011), conhecido como Pinduca, responsável pela elaboração da cadência. A obra volta às estantes da Orquestra Sinfônica da UFRJ para homenagear Radamés pelos 120 anos e Luiz Anunciação pelo centenário de nascimento.

 

O concerto encerra com a Sinfonia no4 “Trágica”, de Franz Schubert, composta pelo compositor austríaco aos 19 anos. Não se sabe o motivo para o próprio Schubert a ter alcunhado como “Trágica”. O conteúdo musical reflete mais a dramaticidade de um compositor cujo gênero canção constitui a parte mais celebrada de sua produção. É a primeira sinfonia em modo menor escrita pelo compositor. Assim como as anteriores, a Sinfonia no4 é devedora da sinfonia clássica do século XVIII, mas com uma personalidade que prefigura obras posteriores, especialmente a Sinfonia em Si menor, a “Inacabada”, sua obra orquestral mais conhecida. Não podemos deixar de perceber também algumas conexões com a quinta sinfonia de Beethoven, não só pela dramaticidade, mas também pela tonalidade idêntica. Durante sua breve existência, Schubert jamais ouviu a obra, pois ficou mais de três décadas esquecida, tendo sido estreada somente em 19 de novembro de 1849, em Leipzig.

 

THIAGO SANTOS

Thiago Santos tem sido apontado como um dos mais promissores jovens regentes brasileiros da atualidade. Após atuar como maestro assistente da BBC Philharmonic e da Royal Liverpool Philharmonic, na Inglaterra (2014-2016), retornou ao Brasil e desde então tem dirigido diversas orquestras pelo país, dentre elas: a Petrobrás Sinfônica, a Sinfônica Nacional-UFF, Sinfônica da UFRJ, Sinfônica de Sergipe e Sinfônica Jovem de Goiás. Foi diretor artístico da Associação Musical Alegro e regente da Orquestra Jovem Alegro (Curitiba-PR). Foi maestro titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba. Também trabalhou com a Filarmônica de Minas Gerais, Sinfônica de Porto Alegre e Sinfônica de São José dos Campos. Na Inglaterra, trabalhou com a Manchester Camerata, Stockport Symphony e Nottingham Philharmonic. Ainda na Europa, regeu a Bohuslava Martinu Filharmonie (República Tcheca) e U Artist Festival Orchestra (Ucrânia). Em 2015, foi selecionado para reger os masterclasses orquestrais da Mahler Chamber Orchestra para jovens músicos. Como maestro assistente, colaborou com maestros como Juanjo Mena, Vasily Petrenko, Sir Mark Elder, Vassily Sinaisky, Yan Pascal Tortelier, Andrew Manze e Ton Koopman. Seu repertório compreende música sinfônica, coral e ópera, do barroco à música contemporânea, tendo dirigido estreias mundiais de obras no Brasil e no exterior. Estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro dirigindo a montagem da ópera Savitri, de Gustav Holst, colaborando em outras produções como Lo Schiavo, de Carlos Gomes, e Jenufa, de Leos Janacek. Como  pesquisador e editor dedica especial atenção à música brasileira. Colabora com a Academia Brasileira de Música através edições e revisões de obras de importantes compositores brasileiros, tais como: José Maurício Nunes Garcia, Heitor Villa-Lobos, Francisco Braga, Henrique Oswald, Mário Tavares e José Siqueira. Em janeiro de 2020, lançou um projeto de formação de plateia para a música clássica através das redes sociais, o canal Bebendo o Concerto, iniciativa premiada pelo edital “Cultura Presente nas Redes”, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, com o projeto “Oficina de Escuta Beethoven 250”. Venceu o “Concurso para Jovens Regentes” da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (2011). Thiago Santos foi o primeiro latino-americano contemplado com a bolsa de estudos Leverhulme Arts Scholar para o renomado programa de regência orquestral do Royal Northern College of Music, na Inglaterra, sob orientação de Clark Rundell e Mark Heron. Cursou bacharelado e mestrado em regência na UFRJ com André Cardoso. Outros mentores foram: Giancarlo Guerrero, Marin Alsop, Ernani Aguiar, Fábio Mechetti, Ronald Zollman, Donald Schleicher e Guillermo Scarabino.

 

PEDRO MOITA

O percussionista Pedro Moita desenvolve uma atuação que transita entre a música popular e a música de concerto. Iniciou sua trajetória em rodas de samba e choro e, aos 14 anos, passou a estudar formalmente na Escola de Música Villa-Lobos. Formou-se com diploma magna cum laude no bacharelado em percussão pela UFRJ, onde também concluiu o mestrado em música, tendo posteriormente realizado estudos de doutorado na UNICAMP.


Apresenta-se há mais de 20 anos como músico convidado das principais orquestras sinfônicas do Rio de Janeiro e, desde 2012, é músico da UFRJ, onde atua como percussionista e timpanista na Orquestra Sinfônica da UFRJ e na Orquestra de Sopros e Percussão. Estudou a peça Divertimento para marimba e cordas diretamente com o percussionista Luiz D’Anunciação, autor da cadência, a quem Radamés Gnattali dedica a obra.

 

Detalhes do evento:

Dia(s): 30 abr 2026
Horário: 19h00 - 21h00

Local: Salão Leopoldo Miguez (Escola de Música/UFRJ)
Rua do Passeio, 98 - Lapa, Rio de Janeiro , RJ, 20021-290

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Inscrição:

A confirmação da inscrição é de responsabilidade do organizador do evento.

Valor: Gratuito
Período de inscrição: N/C
Site: https://música.ufrj.br
Instituição responsável: Escola de Música da UFRJ
Email do organizador: N/C
Telefone de contato: N/C