UFRJ concede título de doutor honoris causa a Amir Haddad

Adiamento honoris causa – Amir Haddad 

Em razão da previsão de fortes chuvas para amanhã (13/2), o Fórum de Ciência e Cultura (FCC) comunica o adiamento da Sessão Especial do Conselho Universitário para a concessão do título de doutor honoris causa a Amir Haddad.

A sessão será remarcada e a nova data será divulgada em breve no site oficial do FCC. 

O Fórum agradece a compreensão de todas e todos.  

 

Diretor do grupo Tá na Rua e um dos fundadores do Teatro Oficina, artista é um dos maiores nomes do teatro brasileiro

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concederá no dia 13 de fevereiro, o título de Doutor Honoris Causa ao diretor, ator, teatrólogo, dramaturgo e professor Amir Haddad. A nomeação é a mais alta honraria da Universidade, concedida a personalidades pela relevância de suas obras para o país. A proposta para concessão do título a Haddad foi encaminhada ao Conselho Universitário (Consuni) pelo coordenador do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, professor Carlos Vainer.

“A caminhada criativa de Amir Haddad registra sua presença constante e transformadora na área do ensino, tendo atuado em várias cidades brasileiras, ajudando na criação de cursos universitários”, diz trecho do parecer aprovado pelos conselheiros. O documento destaca o papel do artista na criação do grupo A Comunidade, em 1965, com sede no Museu de Arte Moderna do Rio e da Escola de Teatro Martins Pena, entre 1965 e 1973, entre outros. “Outro lado de suma distinção no perfil do homenageado é a sua defesa inconteste da liberdade artística”, diz o documento.

Carreira

Referência do teatro brasileiro e internacional, Amir Haddad dedicou sua vida às artes cênicas, sendo figura importante na desconstrução da linguagem teatral convencional. Inquieto diante de questões envolvendo o espaço cênico e o ofício do ator, Amir desenvolveu sua obra transitando entre produções no teatro convencional e grupos de teatro alternativos, alguns dos quais foi fundador. É o caso do Teatro Oficina, fundado em 1958; do grupo A Comunidade, fundado em 1968, e do Tá Na Rua, fundado em 1980 e prestes a completar quatro décadas de existência.

Agregando a reflexão de trabalhos anteriores acerca da disposição não-convencional da cena, proposição de novos usos para o espaço e novas relações entre atores e espectadores, Amir lançou-se, junto aos integrantes do Tá Na Rua, na experimentação do teatro de rua, com a realização de espetáculos em espaços abertos e públicos da cidade, como ruas, praças e parques. Vivenciando a dinâmica das ruas e aprendendo com ela, Amir e os demais integrantes do grupo viram emergir uma linguagem teatral própria, marcada pelo improviso e pela participação do público como parte da cena. Um teatro próprio sintetizado em três pilares fundamentais: teatro sem arquitetura, dramaturgia sem literatura e ator sem papel.

Para Amir, os espaços da cidade trazem em si possibilidades teatrais e de representação. Espaços em que as ruas e edifícios compõem a cenografia. Espaços em que a relação entre artistas e platéia se reconfigura na figura do que Amir costuma chamar de ator-cidadão. Rompe-se a divisão entre os papéis: o cidadão é o artista, o artista é o cidadão. Carnavalizando o teatro e teatralizando o carnaval, o diretor desperta o sentido de religação das festas e celebrações. Com espetáculos-festas, concebidos como imensos cortejos o Tá Na Rua devolve ao teatro sua função pública social original.

Marcado pelo princípio de que toda arte é pública por natureza, Amir Haddad fundou o Fórum Carioca de Arte Pública, que ocorre até hoje, todas as segundas-feiras, às 19h, na Casa do Tá Na Rua, na Lapa, centro do Rio. Haddad tem sido figura importante na luta pela defesa das manifestações artísticas realizadas nos espaços públicos urbanos.

Foi professor na Escola de Teatro do Pará, em Belém, na Escola de Teatro da Federação das Escolas Federais Isoladas no Estado do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e na Escola de Teatro Martins Pena. Trabalha na Formação do Núcleo de Teatro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) além de aplicar cursos em muitos eventos de artes cênicas no país e no exterior, sendo, inclusive, pedagogo convidado da Escola Internacional de Teatro Latino-Americano e Caribe, em Havana.

Transitando com desenvoltura entre diferentes linguagens e formas de pensar e fazer teatro, Amir tornou-se um diretor único. Recebeu seu primeiro prêmio em 1959, com A Incubadeira, de Martinez Corrêa. Ganhou dois prêmios Molière de melhor direção: o primeiro em 1969, com a direção de A Construção, de Altimar Pimentel.

Em 1967, Amir é convidado pelo TUCA, Teatro Universitário Carioca, para dirigir O Coronel de Macambira, de Joaquim Cardozo. Em uma época marcada pelo engajamento e intensa mobilização política, dirige, em 1968, outros 3 espetáculos junto ao grupo: A Família de Fantasmas, de Heitor O’Dwyer, e Terror e Misérias no 3º Reich e Horácios e Curiácios, de Bertolt Brecht. e com o advento do AI-5 no final de 1968, sem condições de prosseguir, o grupo interrompeu suas atividades. 50 anos depois, Amir Haddad participa, junto a antigos integrantes do coletivo, da fundação do TUCAARTE – Associação TUCA de Arte e Cultura, para retomar o trabalho cultural.

Em 1970, ganha o segundo Molière, com o espetáculo O Marido Vai à Caça, de Georges Feydeau. Em 1973, monta junto ao grupo Teatro Mágico, o histórico espetáculo SOMMA ou Os Melhores anos de nossas vidas, que estreia em 1974, no Rio de Janeiro. Ao colocar a plateia no palco e adotar a improvisação como recurso experimental na condução das cenas, a obra chama atenção e é censurada após 15 apresentações.

No teatro convencional, Amir realizou trabalhos como diretor que lhe valeram o Prêmio Shell por Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, em 1989; e o Prêmio Sharp, por O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, em 1996.

Dirigiu artistas como Renata Sorrah, Pedro Cardoso e Tonico Pereira, em Noite de Reis, de Shakespeare, em 1997; Clarice Niskier, em A Alma Imoral, de Nilton Bonder, com estreia em 2006 (espetáculo que ficou mais de 12 anos em cartaz) e, mais recentemente, Andréa Beltrão, em Antígona, de Sófocles, estreado em 2016.

Ao longo dos mais de 60 anos de carreira, Amir Haddad realizou mais de 250 espetáculos, acumulando trabalhos memoráveis e se consolidando como figura singular no cenário artístico-cultural do Brasil.

Cerimônia

A cerimônia ocorre no dia 13 de fevereiro, às 17h, em reunião solene do Consuni, no Salão Pedro Calmon, no Palácio Universitário – Campus da Praia Vermelha. Além de Amir Haddad, compõem a mesa da cerimônia o reitor da UFRJ, Roberto Leher, o coordenador do Fórum de Ciência e Cultura, Carlos Vainer, e a atriz Renata Sorrah, responsável pela saudação ao homenageado. Depois da solenidade, haverá a apresentação do Grupo Tá na Rua e a participação do TUCAARTE.

Serviço

Data e horário: 13 de fevereiro (quarta-feira), às 17h

Local: Salão Pedro Calmon, Palácio Universitário – Campus da Praia Vermelha – UFRJ

Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Urca

Evento aberto ao público.

Solenidade acessível em libras.

Detalhes do evento:


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Dia(s): 13/02/2019
Horário: 0:00

Local: Salão Pedro Calmon - Palácio Universitário da UFRJ/Campus da Praia Vermelha
Av. Pasteur, 250 – 2º andar – Urca
RIO DE JANEIRO - RJ - Rio de Janeiro CEP

Categoria(s):

Inscrição:

A confirmação de inscrição no evento é de responsabilidade do organizador do mesmo.

Valor: Gratuito
Período de inscrição:13/02/2019
Site: forum.ufrj.br
Instituição responsável: UFRJ
Email do organizador: producao@forum.ufrj.br
Telefone de contato: (21) 25521-195

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