Simpósio do PPGM coloca Brasil no mapa da musicologia internacional

Promovido desde 2010 pelo Programa de Pós-graduação em Música (PPGM), o Simpósio de Musicologia da UFRJ chega a sua sexta edição e firma-se no cenário acadêmico. Com o tema “Trânsitos Culturais: Música entre América Latina e Europa” o evento acontece de 10 a 15 de agosto, em associação com o Colóquio Internacional do Instituto Ibero-Americano de Berlim (IAI) e da Universidade das Artes de Berlim (UdK), e sua realização conta com a cooperação da Academia Brasileira de Música (ABM) que cedeu seu auditório para as conferências, palestras, mesas-temáticas e sessões de comunicações programadas.

MARIA Alice Volpe, presidente da comissão científica do Simpósio.

MARIA Alice Volpe, presidente da comissão científica do Simpósio.

Maria Alice Volpe (UFRJ), que divide com Dörte Schmidt (UdK) a presidência da comissão científica do Simpósio, não esconde a satisfação com a repercussão alcançada pela iniciativa. Ela conta que diversos pesquisadores estrangeiros e brasileiros têm comentado que o Simpósio se tornou referência para pesquisadores e especialistas da área.

− Tenho recebido apreciações extremamente positivas da comunidade musicológica, do Brasil e do exterior. Philip Gossett (Universidade de Chicago) comentou certa vez que o Simpósio colocou o Brasil no mapa da musicologia internacional, referindo-se ao nível de excelência do encontro. Já Manoel Aranha Corrêa do Lago (ABM) sempre ressalta que a realização regular do Simpósio produz um efeito acumulativo muito positivo, devido à oportunidade de congregar pesquisadores, propiciar o debate e disseminar o conhecimento.

Parceria Brasil-Alemanha

Volpe, que integra o quadro de docentes do PPGM, acredita que a realização conjunta Simpósio e do Colóquio, além de divulgar os resultados originais de pesquisas sobre temas que ainda estão sob o escrutínio de poucos especialistas, abre espaço para uma diversidade maior de propostas que compartilham as mesmas questões e podem se enriquecer mutuamente, tanto no campo conceitual como metodológico.

− O tema “Trânsitos Culturais”, afirma, alargou a proposta mais específica oriunda do projeto interinstitucional, objeto do convênio entre UFRJ e a UdK/ IAI, que trata especificamente da música erudita latino-americana no período de 1945 a 1970. O Simpósio de Musicologia abriga este tema específico do Colóquio IAI-UdK e, ao mesmo tempo, abre para um escopo mais abrangente das diversas tradições culturais, contextos e tempos históricos, pois interessa-nos atrair um número maior de pesquisadores e uma diversidade maior de olhares, questões e abordagens. Esse alargamento temático resultou de nossa experiência com eventos anteriores. Nossa estimativa se confirmou com a chamada de trabalhos: das cerca de 50 submissões que recebemos, 16 tratavam do tema especifico do Colóquio IAI-UdK e apenas 8 foram selecionadas. As outras três dezenas de submissões tratavam de temas relacionados ao escopo mais abrangente do Simpósio UFRJ.

Acima, Dörte Schmidt e Ulrike Mühlschlegel. Abaixo, Omar Corrado e Paulo Ferreira de Castro.

Acima, Dörte Schmidt e Ulrike Mühlschlegel. Abaixo, Omar Corrado e Paulo Ferreira de Castro.

O convênio com as instituições alemãs surgiu de iniciativas do musicólogo argentino Omar Corrado, que participou da edição 2011 do Simpósio. Impressionado com a organização do evento, Corrado, que é membro de um projeto interinstitucional entre a Alemanha e a Argentina, recomendou à UdK e ao IAI-Berlim que se estabelecesse um convênio com o PPGM para o desenvolvimento de um projeto de pesquisa conjunto e para a realização de um evento casado na América Latina e outro na Alemanha.

A proposta, destaca Volpe, é que o evento seja realizado com os recursos financeiros dos respectivos países que hospedam o evento a cada ano.

− Este ano as dificuldades têm sido enormes devido aos drásticos cortes orçamentários promovidos pelo governo federal, afirma. mas a coesão de toda a equipe da Escola de Música, envolvendo os diversos segmentos, a Diretoria da instituição, o PPGM, o Setor Artístico, o Setor de Comunicação e a colaboração dos monitores e bolsistas da graduação e da pós-graduação, somados à acolhida da ABM, viabilizaram o evento.

Destaques

A evolução do Simpósio tem demonstrado índices interessantes para a política científica, tanto no que diz respeito ao seu alcance nacional, quanto à internacionalização da universidade brasileira. Ele tem trazido conferencistas de diversos países: EUA, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Sérvia, Portugal, Espanha, México, Cuba, Venezuela, Argentina, Chile e Uruguai.

− A partir da segunda edição, afirma a pesquisadora, além dos conferencistas convidados, temos feito a chamada de trabalhos, cuja seleção anual tem obtido uma média de distribuição geográfica de 76% de pesquisadores do Brasil, incluindo diversos estados de todas as regiões e 24% do exterior, incluindo diversos países da Europa, América Latina e da América do Norte. Essa adesão e reconhecimento do Simpósio no cenário nacional e internacional dá continuidade, de maneira renovada, à contribuição histórica da Escola de Música da UFRJ − a mais antiga instituição de ensino musical do país e a primeira a criar um programa de pós-graduação em música do Brasil.

A iniciativa oferece também uma oportunidade dos alunos de graduação e pós-graduação conhecerem de perto as pesquisas desenvolvidas por especialistas do Brasil e do exterior, acompanharem de perto os debates travados durante o evento, participarem desse debate e se engajarem na pesquisa musical.

O Simpósio tem atraído ainda, destaca Volpe, muitas parcerias, resultando em convênios da UFRJ com instituições do Brasil e do exterior. Esses convênios envolvem acordos de cooperação científica e técnica, formação de grupos de pesquisa interinstitucionais para desenvolvimento de projetos, realização de eventos científicos casados, intercâmbio de professores, pesquisadores e alunos, além de diversas formas de colaboração entre os cursos de graduação e pós-graduação.

Conferencistas

Acima, Christina Richter-Ibáñez. Abaixo, Daniela Fugellie e Matthias Pasdzierny.

Acima, Christina Richter-Ibáñez. Abaixo, Daniela Fugellie e Matthias Pasdzierny.

O encontro tem se caracterizado pela participação de conferencistas internacionais de relevo. Este ano são esperadas as presenças de Dörte Schmidt, Omar Corrado, Christina Richter-Ibáñez, Ulrike Mühlschlegel e Paulo Ferreira de Castro.

Dörte Schmidt (Universidade das Artes, Berlim) está entre as figuras mais importantes da musicologia da Alemanha na atualidade. Sua conferência oferecerá uma reflexão sobre o intercâmbio musical e cultural entre a América Latina e a Europa na segunda metade do século XX no contexto mais amplo da pesquisa sobre o exílio no campo dos estudos culturais orientados por mecanismos específicos da fundação de identidade individual e coletiva e pelas condições da comunicação cultural. Schmidt fala de uma “virada cultural” como consequência da mudança de paradigma político motivada pela queda do Muro de Berlim, em 1989, e destaca que os aspectos estéticos da música desempenham um papel central na produção de representações, interpretações e padrões de percepção culturais.

Omar Corrado (Universidade Nacional de Buenos Aires) é destacado musicólogo argentino, agraciado com diversas bolsas de pesquisa do governo argentino e instituições europeias (DAAD, Goethe Institut, entre outras). Sua especialidade é a música argentina do século XX. Entre suas publicações, destacam-se os livros Música y modernidad en Buenos Aires 1920-1940 (Gourmet Musical, 2010) e o premiado Vanguardias al sur: La música de Juan Carlos Paz (Casa de las Américas, 2010). Corrado já esteve anteriormente no Simpósio como conferencista e este ano apresentará um estudo sobre exílio, com foco na produção historiográfico-musical de emigrados austro-germânicos na Argentina do pós-guerra.

Christina Richter-Ibáñez (Universidade de Tubingen) é especialista em música argentina do pós-guerra e tem contribuído substancialmente para os estudos sobre o compositor Mauricio Kagel. Sua participação traz uma abordagem interdisciplinar ao tratar da música, artes e literatura europeia e latino-americana nos cursos de verão da Argentina e do Brasil nas décadas de 1950.

Ulrike Mühlschlegel (Instituto Ibero-Americano, Berlim) realizará palestra sobre o acervo do IAI-Berlim, que desde sua fundação em 1930, reúne na biblioteca coleções sobre a música ibérica e latino-americana, incluindo livros, partituras musicais, libretos de ópera e de zarzuela, materiais históricos, contando também com uma fonoteca de mais de 35.000 discos, cassetes e fitas magnéticas. Sua preciosa palestra descortinará a diversidade do acervo, que contém música erudita, música para guitarra, etnomúsica e música contemporânea, revelando o interesse da Europa pela América Latina.

Paulo Ferreira de Castro (CESEM, Universidade Nova de Lisboa) tem formação em filosofia da música, com ênfase no pensamento de Wittgenstein. Tem contribuído para a reflexão sobre a historiografia musical portuguesa e é co-autor, junto com Rui Vieira Nery, do livro História da Música (1991) da série Sínteses da Cultura Portuguesa. Nesta primeira participação no Simpósio falará sobre nacionalismo e cosmopolitismo na música portuguesa do século XX.

Além dos conferencistas internacionais, o Simpósio reunirá ainda simposiastas de grande expressão de diversos países, que oferecerão uma gama ampla e diversificada de temas e abordagens. Entre eles, Matthias Pasdzierny (UdK), Daniela Fugellie(UdK), Harm Langenkamp (Universidade de Utrecht), Eduardo Herrera (Rutgers, Universidade Estadual de New Jersey), Silvia Glocer (Universidade de Buenos Aires), Mariana Portas de Freitas (Fundação Calouste Gulbenkian), Edward Luiz Ayres de Abreu (CESEM, Universidade Nova de Lisboa), Flavio Silva (FUNARTE), Rodolfo Coelho de Souza (USP), Alessandra Vannucci (Escola de Comunicação da UFRJ).

− Teremos ainda a satisfação, destaca a Volpe, de receber Marta Castello Branco (Universidade Federal de Juiz de Fora), que realizou seu doutorado na UdK sob a orientação de Dörte Schmidt, para uma comunicação e lançamento de sua tese agora publicada como livro. A abertura do evento conta com o recital palestra de Pedro Bittencourt (UFRJ) & Bernd Schultheis (Universidade Goethe-Frankfurt) sobre interpretação participativa na música mista.

A comissão organizadora do Simpósio e do Colóquio conta com André Cardoso (UFRJ) e Ulrike Mühlschlegel (IAI, Berlim), presidentes; Maria Alice Volpe (UFRJ); Marcos Nogueira (UFRJ); Pauxy Gentil-Nunes (UFRJ); Pedro Bittencourt (UFRJ); Antonio Augusto (UFRJ) e Mário Alexandre Dantas Barbosa (UFRJ). Além de Maria Alice Volpe (UFRJ) e Dörte Schmidt (UdK), integram a comissão científica Omar Corrado (Universidade de Buenos Aires); Christina Richter-Ibáñez (Universidade de Tübingen); Daniela Fugellie (UdK); Marcos Nogueira (UFRJ) e Ilza Nogueira (UFPB).

SERVIÇO
Academia Brasileira de Música, Rua da Lapa, 120, 12º andar, Auditório – Lapa – Rio de Janeiro – RJ. Edifício Ventura Corporate Towers, Av. República do Chile, 330, Torre Leste, 21º andar, Sala de Reunião – Centro – Rio de Janeiro – RJ. Escola de Música da UFRJ, Rua do Passeio, 98 – Lapa – Rio de Janeiro – RJ. Detalhes da programação no site do PPGM.

Detalhes do evento:


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Dia(s): 10/08/2015 - 15/08/2015
Horário: O dia inteiro

Local: Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ
Rua do Passeio, 98
Rio - RJ CEP 20.021-290

Categoria(s):

Inscrição:

A confirmação de inscrição no evento é de responsabilidade do organizador do mesmo.

Valor: Grátia
Período de inscrição:Não foi informado
Site: http://ppgm.musica.ufrj.br
Instituição responsável: Programa de Pós-graduação em Música (PPGM)
Email do organizador:posgraduacao@musica.ufrj.br
Telefone de contato: (21) 2240-1441

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